Mataste-me. Não foi uma morte lenta e dolorosa. Foi antes bem rápida, prática, pouco piedosa. Não sujaste muito as mãos graças a quem podia te ajudar a dar pequenas, rápidas e concisas facadas nas zonas mais críticas do corpo humano. Ainda ouvi passos, cada vez mais apressados e cada vez mais longínquos. Não sei se fugias ou se simplesmente tinhas a ânsia de chegar o mais breve possível à vida que te reservaram para depois deste triste episódio. Imagino que te receberam em festa, de braços abertos. Uma pia de água morna para limpares as mãos, uma toalha de linho para as poderes secar e uma mesa farta para poderes celebrar.
E quem não acredita em ressurreição? Sou a prova viva disso mesmo! Mesmo não seguindo qualquer religião, mesmo não acreditando em mais do que a Mãe Natureza. Deixaste-me inanimada, jogada num chão imundo, numa rua solitária. Mas alguém fez de tudo para me devolver a vida. Mesmo não sabendo a importância que cada segundo perdido comigo seria tão valioso no futuro. Uma morte rápida para sempre recordada por cicatrizes profundas e dolorosas até quando me afagam como se de um gato de pelo preto brilhante e de ar elegante se tratasse. Mas como todo o gato que se preze, também tenho 7 vidas e esta foi apenas mais uma.
Quarta-feira, Março 10, 2010
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