Está sozinha. Não no verdadeiro sentido da palavra visto que quem a rodeia cisma em não a deixar gozar se quer um dia sem sair de casa. Nem que seja para atravessar a rua e fazer companhia pelos corredores do Pingo Doce. Falo-vos do sentido figurado da palavra. Emancipou-se. Esta menina-mulher deixou a menina para trás e seguiu como mulher para a frente. Já estava habituada a ser a eterna menina-mulher de todos e agora cresceu.
Sente-se tão frágil que tem medo de não saber cuidar daquilo que tem a seu cargo. Tem medo de não ser capaz de ser responsável o suficiente. Mas vais ter de te manter assim, crescida e adulta. Pensa só que emancipaste-te cedo de mais, ao contrário das estatísticas de um qualquer telejornal. Dá-te gozo acordar, ligar o rádio e rodopiar pela casa logo de manhã. Adoras absorver cada raio de sol que espreita pela janela ao entardecer embalada no barulho de fundo que a tua rua te propicia. Sabe-te bem fumar aquele último cigarro ao som de um cão a ladrar, respirar fundo e ver as estrelas.
Guarda na mente o cheiro da rua quando chegavas de madrugada a casa. Não te esqueças da linda lua cheia que vinhas adorar enquanto fumavas um cigarro e esperavas que o sono voltasse. Deixa ficar na memória tudo o que viveste mas arruma tudo numa só gaveta. Vais precisar do resto do espaço para guardar as novas memórias que se adivinham.
Terça-feira, Agosto 18, 2009
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